06 agosto, 2008

Vivendo e aprendendo...

A CURIOSIDADE MUDA O GATO

A curiosidade matou o gato, é exatamente nisso que estou pensando enquanto começo a digitar esse texto. Estou segurando as lágrimas, pois acabei de perder todos os arquivos que estavam no meu computador enquanto tentava instalar o Linux Educacional.
No sábado a noite procurei um site para fazer o download do Linux, foi bem fácil encontrar. Enquanto esperava o término do download aproveitei para dar uma olhada nas instruções de instalação, estava super ansiosa para explorar o novo sistema. Quando o download terminou resolvi ir adiante e criar o disco de boot, pois sabia que não era um processo complicado, já havia feito isso antes, claro que da primeira vez perdi vários cds. O cd ficou pronto e como já estava tarde fui deitar, mas a curiosidade não me deixou dormir, minutos depois estava novamente na frente do computador. Olhei mais uma vez o capítulo que tratava do particionamento de disco e reiniciei o computador, o resto dá pra imaginar, foi o início do fim do gato curioso.
Agora estou tentando me conformar com as perdas enquanto faço a atividade do curso. Ao menos o novo sistema foi instalado, e o editor de texto é bem parecido com o antigo, não estou tendo dificuldades para usar, e para minha própria surpresa ainda não senti saudades do Word. Isso me leva a uma importante constatação, o gato não morreu, ele continua vivo, apenas mudou. É doloroso mudar, mas aos poucos vamos percebendo o lado bom das mudanças e no fim nos acostumamos novamente, deve ter sido assim com as pessoas que utilizavam navios para atravessar o Atlântico quando os aviões começaram a ser utilizados para o mesmo propósito, como também deve ter sido a curiosidade que fez muitos experimentarem esse meio de transporte pela primeira vez.
A curiosidade também deve ter tirado Santos Dumont muitas vezes da cama, é impossível dormir quando se tem em mente idéias que podem influenciar os caminhos de toda a humanidade, e é quase certo que ele também teve prejuízos durante as inúmeras tentativas até que seu projeto tivesse sucesso. Óbvio que não estou me comparando a Santos Dumont, mas como professora posso influenciar o caminho dos meus alunos para que se tornem cidadãos responsáveis e capazes, esse é o meu projeto, aprender utilizar um sistema mais acessível é uma das inúmeras tentativas, perder cds e arquivos são prejuízos pequenos diante desse projeto.
A curiosidade é natural no ser humano, mas o medo da mudança faz com que vejamos ela como defeito, como um vício capaz de levar os curiosos a morte. Nos ensinaram a ver com maus olhos a curiosidade ao longo dos séculos, como uma forma de conter os explorados e manter o poder, e nós em pleno século XXI continuamos repetindo a máxima e temendo o novo.
As lágrimas secaram finalmente, a cada palavra digitada percebi que não perdi nada, o disco do computador foi formatado, mas o que eu aprendi já faz parte de mim, desse texto e das minhas ações. A curiosidade nunca matou o gato, o que ela matou foi o comodismo e o medo do novo. O novo gato compreendeu que não é escravo de uma única tecnologia, mas que são elas que servirão ao seu propósito desse momento em diante.
Jusemara Teles

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