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06 abril, 2010

Os pólos da Terra vigiados do Céu

Novo satélite europeu fornecerá informações mais precisas sobre polos
CryoSat analisará as camadas de gelo da Terra com sofisticação inédita.


O CryoSat, o satélite mais complexo já criado para analisar as camadas de gelo da Terra, será lançado ao espaço na quinta-feira (8) com o objetivo de proporcionar dados úteis para evitar o derretimento dos polos.

O satélite vai realizar uma das seis missões de observação da Terra do programa Planeta Vivo da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) e é a ferramenta mais avançada da história para "saber quanto gelo está desaparecendo das calotas polares", explicou à Agência Efe o chefe de manutenção dos satélites do programa, Miguel Canela.

A camada de gelo que cobre o oceano Ártico chegou a índices mínimos históricos nos últimos verões e, embora a observação da cobertura de gelo do espaço não seja novidade, "é necessário determinar a variação da espessura do gelo" para entender melhor a mudança climática, diz a ESA.

O CryoSat - nome inspirado na palavra grega 'kryos' (frio ou gelo) - fornecerá informações, por exemplo, sobre a Corrente do Golfo, que provoca um aumento de seis ou sete graus na temperatura na Europa Ocidental "acima do que corresponderia pela latitude", relata Canela, e que provocaria alterações climáticas caso afetada.

Além disso, o satélite oferecerá dados com precisão de um centímetro sobre as variações da espessura do gelo, que pode alcançar cinco quilômetros na Antártida, e ampliará os conhecimentos sobre a salinidade dos oceanos.

Três meses após seu lançamento a partir da base russa de Baikonur, no Cazaquistão, os cientistas poderão conhecer mais sobre o efeito das placas polares como "espelho" das radiações solares e defesa natural contra o aquecimento global.

A superfície clara do gelo permite que parte das radiações solares rebata e retorne à atmosfera, enquanto as zonas terrestres as absorvem, descreve Canela.

O derretimento dos polos dá origem a um círculo vicioso: quanto mais gelo derrete, mais radiações a Terra absorve, mais severa é a mudança climática e mais rapidamente as calotas polares diminuem.

Alguns cientistas opinam que já chegamos ao ponto de não retorno, embora "ainda haja mais otimistas que pessimistas".

Entretanto, o desaparecimento dos polos, que fazem com que o nível do mar aumente por volta de três milímetros cada ano, não é a única ameaça oferecida pelos polos Norte e Sul.

Em 2007, o degelo da superfície gelada do oceano Ártico fez com que, pela primeira vez na história, a rota marítima do noroeste se abrisse, abrindo um ponto de passagem de mercadorias para os Estados que querem explorar comercialmente o aquecimento global.

No entanto, Canela lembra que, "politicamente falando, ninguém é proprietário do polo Norte".

Outra batalha será pelo controle dos hidrocarbonetos existentes sob as calotas polares. "Sob a Antártida há, provavelmente, petróleo e gases que podem ser muito interessantes", conta Canela.

Esses interesses econômicos darão lugar a "grupos de pressão", acrescenta o cientista, ao advertir que há "regiões do mundo onde (a mudança climática) tem um efeito devastador e outras onde é muito rentável a médio ou longo prazo".

As estimativas do Instituto de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos apontam que há sob o Círculo Polar Ártico 90 bilhões de barris de petróleo, o suficiente para satisfazer a demanda mundial durante três anos.

Não por acaso, os países que circundam o Oceano Ártico - Rússia, Canadá, Dinamarca (com a Groenlândia, seu território), Noruega e EUA - já disputam o controle da região.


FONTE: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/